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Ontem fui conhecer o Habitat 67, um conjunto de apartamentos construído para expo 67. vejam cá o site do bichinho: www.habitat67.com . Visitar marcos arquitetônicos sempre faz o dia ganhar ares festivos. Principalmente aqueles que eu já vi em livros, deve ser o equivalente a um fã de Elvis visitar Graceland e comer sanduíche de peanut butter and banana do outro lado da rua. (I know someone who can relate to that...) Depois disso aproveitei a temperatura de 0 graus e fiquei andando mais um pouco pra lá e pra cá, atrás de coisa e gente pra fotografar. Fiquei um tempão numa estação de metrô tentando fotografar ao meu agrado um painel enorme, propaganda do i-pod. Tomara que fique bonita a foto. Depois me larguei pros lados do parc de la fontaine onde dei de cara com umas duzentas crianças brincando de escorregar e fazer bonecos na neve. Os meninos obviamente se dedicavam mais a atirar bolas de neve uns nos outros. Fiquei um tempão sentada olhando. Fotografei bem pouco, ate que uns menininhos que estavam rolando em cima de uma bola que dava quase o tamanho deles vieram falar comigo: “bonjour madame, vous pouvez faire notre foto?" bien sure. Foi só, peguei o já familiar metrô pra casa, pensando que amanha é meu ultimo dia aqui. I suppose this shall be the last email. O que de certa forma é triste, já que isso significa que, quase tão certo como dois e dois são cinco, passarei mais um ano sem escrever a nenhum de vocês. Mas agradeço de antemão os olhos que tomei emprestado. Eu tenho pensado nessa necessidade de agregar testemunhas, de dividir por palavras tudo o que eu vivi. Talvez seja medo de esquecer. Medo de virar pó e sair me espalhando por ai. E pra não dizer o que já foi dito, tomo emprestadas as palavras alheias, escritas dia desses pelo meu amigo Orlando: "Que lugar-comum, esse da fugacidade da memória. Ultimamente dei para pensar que minha morte, quando vier, tirará do mundo de vez aquelas coisas que armazeno. Quis ter pena do mundo, coitado dele, perder tudo o que guardo!, mas, claro, tenho pena é de mim - não quero morrer nunca. Não quero que aquele sábado dourado de 1979, na rua Maria Marcolina, desapareça comigo, mesmo não sendo útil, comunicável ou lembrado por mais ninguém. Não quero que tudo o que minha carne e meus sentidos ainda são capazes de evocar se esfumace junto com a minha consciência." Beijo nicole
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nicole
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18h06
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Nos últimos dias fui ate Quebec city e Toronto, não é tão perto quanto parece no mapa, mas como estou por aqui achei que valia o esforço pra conhecer mais dois lugares.
Quebec fica a três horas e meia de Montreal (ônibus), e é a capital da província. A parte turística da cidade é cercada por muralhas, que são a extensão de um forte construído no topo de uma montanha que forma um grande plateau com vista pro rio saint laurent. Assim, a cidade se divide em alta e baixa Quebec. No alto esta um hotel em forma de castelo que é o cartão postal da cidade. Bonito... seria mais bonito ainda não fossem os 30 graus abaixo de zero que não me deixaram olhar pra ele por mais de 30 segundos. Acho difícil que meus caros leitores entendam exatamente o que isso significa, então vou tentar explicar melhor: qualquer temperatura um pouco acima ou ate zero graus significa que se chover molha, e forma uma pasta com o gelo e a neve que já estão na calçada. Se não chover, ótimo, da pra andar na rua feliz da vida com a cabeça pra fora e (os mais corajosos) até sem luvas. Por outro lado: qualquer coisa entre zero e menos 15 graus significa que se cair alguma coisa do céu é neve, e se não cair nada... o que antes era uma pasta vai congelar e formar uma camada de gelo tão grossa que faz a gente andar de lado, de medo de cair de bunda no chão. Já se a temperatura estiver abaixo disso, e ainda por cima estiver ventando (com certeza vai estar) fique em casa, ou você não vai mais sentir frio, vai sentir dor.
Mas eu só tinha dois dias e uma noite em Quebec, então eu saí mesmo assim. Comprei uma meia bem grossa que (dizem) resiste a menos trinta graus dentro dos sapatos, coloquei mais uma blusa, apertei bem o cachecol e me fui. De quadra em quadra eu entrava nas "lujinhas" fingindo que ia comprar alguma coisa, mas no fundo queria só descongelar um pouco os ossos. Foi divertido até. Alem das meias e uma camiseta escrito Quebec com um alce pulando por cima, ainda abasteci meu francês, que ganhou até elogio. Nem bem voltei pra Montreal e segui pra Toronto, no primeiro dia fomos ver as duas coisas maiores e estapafúrdias por lá: lake ontario and CN tower. (la pelas tantas eu não sabia mais pra que lado devia andar, então obviamente perguntei: "excuse me sir, to which direction is lake ontario?" e ele respondeu apontando pro sul "just keep going straight ahead on that direction mam, it's a big thing filled with water.. you can't miss it". I didn’t.
Estava um dia lindo, com sol e em torno de 5 graus positivos, e nos tivemos um por de sol privilegiado a 470m de altura (sim, subimos na CN tower, apesar deles terem a pachorra de cobrar 25 dólares). No dia seguinte minha mae foi a seus afazeres literarios, e eu a meus afazeres fotográficos. Consegui entrar em contato com um fotógrafo de Toronto que eu achei neste site: http://www.inconduit.com/photo/index_col.html expliquei que eu também era uma street photographer, mandei o link para o site da minha exposição e a gente combinou de se encontrar pra fotografar juntos algumas ruas. Descobri que fotografar é de fato um trabalho solitário. O individuo me chega com uma câmera digital pendurada no pescoço que dá umas dez vezes o tamanho da minha nikonzinha e sai fotografando tudo (TUDO) sem nem olhar no buraquinho, ao mesmo tempo que anda a passos largos e rápidos (bem diferentes dos meus penguin steps), fuma e fala. Talvez os japoneses sejam os únicos que consigam fotografar coisas em grupos. Ou talvez eu seja a ultima pessoa ainda a usar filme em maquinas fotográficas (sim, filme! Lembra? Aquele que só tem 36 poses e a gente tem que trocar por outro quando acaba...). Será que estou ficando velha? Não fotografei muito naquele dia... obviamente. mas ver outra pessoa fazer a mesma coisa que eu de uma forma completamente avessa me fez pensar em quem eu sou, e no que busco com uma câmera nas mãos. Ainda não cheguei a uma conclusão exata (as if that were ever possible), mas sei que vou continuar com meus rolinhos de slide, minha lente fixa, parando de esquina em esquina e levando muitos minutos pensando, ate achar o melhor angulo, a melhor luz, ate a nuvem passar, o passarinho voar, ou ate aquela mulher de cabelo vermelho do outro lado da rua resolver atravessar. Durmam bem Até. Ni - the slow photographer.
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nicole
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18h06
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Hello my frisky little ponies
(assistam Craig Ferguson late- late show, voces vao entender)
entao
Eu ainda estou aqui
Faz quase uma semana que a temperatura tem estado acima dos zero graus, não há mais neve nas ruas e nas calcadas, já esta quase parecendo um inverno curitibano. Tenho visto mais coisas já que não preciso ficar me perdendo pelas galerias, buracos de tatu e afins.
Ontem fui ao CCA (centro canadense de arquitetura), tem uma exposição bem interessante sobre os sentidos e a cidade (Sense of the City) que fala sobre os cheiros (tem uns vidrinhos com aromas artificiais de grama recém cortada, asfalto, padaria, lixo, chuva...), sons, luzes e texturas urbanas. Bem interessante. Depois de sair de lá comecei a prestar mais atenção a essas coisas, portanto se vocês virem alguém debruçado na rua cheirando a calcada, e ouvindo o metrô não se assustem.
Ontem também, fui para o east side de Montreal, num pub tomar uma cerveja com os meus irmãos. Uma experiência genuinamente cosmopolita: Três Brasileiros sentados em um pub francês no Canadá, onde se ouve musica cubana, conversando em inglês com um casal de quebecois, sendo que um deles é filho de italianos e colombianos, bebendo guinnes (tipo de cerveja irlandesa), corona (mexicana), e vinho (italiano)...
Fora isso and my customary walking around during the day, não tenho feito muita coisa. Tenho tentado ler pra minha monografia, visitado algumas bibliotecas... e assistido ao craig feguson na tv a cabo. Shame on me.. eu sei seu sei
Amanha acho que pego um ônibus e vou passar um dia ou dois em Quebec city, dizem que é pequeninha, tem só 167.000 habitantes... Mas amanha vai fazer -15...
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nicole
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18h05
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Today it hit me
It rained all day and I slept through most of it. I must have slept 13 hours or so. It’s a lot of pressure. But then, maybe I’m just the one putting it all on me.
How am I supposed to know if we should move here?
It’s not one of those satisfaction guaranteed things. You see faces from all those parts of the world you only heard of in your geography classes. We are going to be them, we are going to be the faces. All of them living in their own little worlds, like misplaced pieces in a puzzle.I’m scared. I’m scared I won’t make it. Not only here, I’m scared I won’t make it anywhere. As an architect, as an art history scholar, as a mother, or even as a lame tourist in Canada who spends her precious time sleeping instead of going out, meeting people and having fun.
I’ve been having nightmares every night.
I know you think everything is going to turn out ok, but right now I’m losing it.
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nicole
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18h05
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Estou na minha segunda semana em Montreal, já sinto que a compreendo um pouco mais. Já não me perco nos túneis e metrôs, já sei que marcas de comida escolher no supermercado, já consigo ver pela cor do asfalto se esta frio lá, aprendi que se deve tirar sempre as botas ANTES de entrar na casas alheias e que aqui no Quebec, ao contrario dos estados unidos, as pessoas beijam sim o rosto quando se conhecem.
No Canadá há mais gatos (e o supermercado tem um corredor só pra eles) do que cachorros, por causa do clima e por conta de uma lei que multa vizinhos com cães que latem. Assim, aqueles que têm cães têm suas cordas vocais removidas cirurgicamente. Outro dado interessante: os cães às vezes usam botas pra andar (e fazer xixi) na neve que deixam cheia de manchas amarelas ao longo da rua.
A neve, aliás, é um capitulo a parte. Quando não escorrega ou afunda, molha. Mas a gente aprende a andar a passinhos de pingüim, a nunca correr pra atravessar a rua, a pular as poças d’água sem cair, a nunca, NUNCA, deixar as luvas dentro dos bolsos (perdi uma anteontem). E assim caminha a nicole...no quebec.
Descobri que o Starbucks Coffee vende cafe com leite de soja.
:)
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nicole
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18h04
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Os dias aqui tem sido curtos, anoitece as quatro da tarde.. Se a gente não acorda cedo perde o dia todo, dizem que por isso os doidinhos se jogam de baixo do metro: falta de sol.
Já acostumei com o frio. It’s like a dance really: sair de casa, colocar toda a parafernália (luva, gorro, casaco, cachecol, bota de neve), andar ate o metro, entrar na estação tirar toda a parafernália (menos o casaco e a bota), sair da estação, colocar tudo de novo... Parece escravos de jó: tira, bota, deixa o zé pereira entrar...
Desenvolvi novas técnicas para enrolar o cachecol, aprendi a fotografar com luvas, a pisar em calcadas nada confiáveis (o gelo forma uma camada grossa e escorregadia, os carrinhos que passam limpando não dão conta de quebrar).
Montreal é linda e grande, mas não opressora como São Paulo, nem tão apressada quanto Londres, mas longe de ter a nostalgia de Paris, afinal ainda estamos falando do novo mundo. Em comum todas tem um rio cortando a cidade e gente de todos os cantos. O frio obriga as pessoas a andarem devagar, e em geral elas parecem não se importar com a minha câmera intrometida.
A arquitetura é conservadora, mas simpática. Em geral os edifícios são baixos e antigos e parecem conviver pacificamente com as caixas de vidro no centro da cidade.
As pessoas têm carros grandes, comem torta de carne moída, deixam suas bicicletas enterradas na neve o inverno todo e costumam jogar coisas grandes no lixo, como televisões, colchões, e vitrolas que vão largando aqui na frente de casa.
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nicole
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18h04
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Pois, estou na estrada mais uma vez, no mundo dos teclados sem acentos gráficos, longe de casa, a milhas e milhas distante do meu amor.
Destino: Norte – Montreal – Canadá.
Trouxe mais uns rolos de filme, talvez renda uma “en route – reloaded”,
Ontem só consegui chegar, comer, dar uma volta na vizinhança (simpática, mas com neve caindo e um frio de babar no cachecol, a visão ficou um tanto limitada a dimensão da calcada), e dormir. Estava na cama as seis da tarde.
As pessoas são de todos os jeitos, Montreal é bem cosmopolita, e quase sempre falam francês e inglês. Eu que sou metida vou logo arranhando o francês, que eu não sei falar ainda, vai que eu aprendo? Tudo o que tem escrito vem em francês e inglês, tudo tudo tudo, inclusive os chineses, os taxistas e os canais na televisão são bilíngües... :)
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nicole
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18h03
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my two cents worth
Acho que a melhor escola de fotografia está dentro de cada um. é um processo interno. nao se aprende fotografia. o melhor que se pode fazer é educar o olhar, e isso para mim foi e tem sido um processo contínuo e (graças a deus) inesgotável. Acho que tudo está relacionado aos codigos que se conhece. Porque só se produz sobre aquilo que se sabe. Se vc fala uma lingua, ou duas, ou cinco e uma delas é chines; se vc almoça em casa ou na rua; se tem filhos, coleciona maridos ou bicicletas... Se é ateu, budista, publicitário ou advogado. os livros que lê, que leu, que gostaria de ler; se toca um instrumento, se mora no centro de sao paulo, ou em uma caverna. Quanto mais códigos, mais chances de se chegar a algo genuíno, de se conseguir ver o mundo de um jeito único, fugir do clichê. (eu ainda nao consegui, mas acredito, acredito)
Todas as minhas artes estao interligadas. viajar com certeza transforma a gente, e todo o processo de transformaçao é doloroso (dizem que sao dores do crescimento). Uma hora tudo isso vai aparecer na fotografia do joao, na minha, na sua.
Quanto ao ser OU nao ser fotógrafo? ora! sejamos menos dicotomicos e mais dialéticos! por que nao: ser E nao ser? eu sou fotografa, e ao mesmo tempo nao sou. porque nunca consegui ser uma coisa e deixar de ser todas as outras.
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nicole
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10h34
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SP - day 3
Acordar, tomar banho, comer tudo o que puder no café da manha.
check -out, Ibirapuera - OCA
Exposiçao maravilhosa de fotografias e esculturas (qual será que eu gostei mais?). Não consegui ver tudo, ler tudo, assistir a todos os videos, folhear todos os livros. mas comprei mais postais e uma camiseta de lagarto.(funny, os clones conseguiram ver tudo em 15 minutos, depois queriam reunir todo mundo pra ir embora mais cedo e dar tempo de almoçar em algum SHOPPING. nao deixei. fiz questao de ficar lá até os 48 do segundo tempo).
Às vezes não sei o que estou fazendo nessa pós graduação. quem será que está no lugar errado, eu ou todas as outras? estou em um limbo. Resoluçao de semana nova: abstrair abstrair abstrair. "nao falarás mais das mulheres com bolsa". nao veja, nao ouça, nao pense.
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nicole
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10h11
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SP - day 2
Ontem fomos, eu indiana-ni e marcia-jones (the last of the mohican-jedi knights) embrenhar-nos SP adentro em busca da 25 de março perdida.
Despues del almuerzo (leia: uma caixinha de suco de pessego e duas bolachas bono) fuímos a casa-huge-cor. cento e lá vai cacete ambientes. até que nao estava tao mal assim, bastante coisas para copiar ou queimar no fogo do inferno. muitas tevês de plasma e léptopes por todos os cantos. cansei e passei fome, já que lá uma água custa R$2,75...
na volta comi o melhor sanduiche da minha vida na padaria paulista
hoje ibirapuera, oca: corpos pintados, then home
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nicole
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09h46
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SP - day one
Quando forem assistir aquela ópera do fantasma, levem um casaco, usem botas e calças compridas.
antes fui à estação da luz e à pinacoteca pensando que ainda veria o henry moore. Enfim, meu péssimo hábito de dar com as fuças nas portas já perdeu até o carater de notícia.
no mais, um pacote de bolacha bono e tudo certo como dois e dois sao cinco (ja dizia a cançao). amanhã eu enfrento o ataque dos clones (also known as mulheres loiras de saltos e bolsas Luis XV)e vou até a casa (co)cor.
bom que vou ver a leticia mas queria ver mais gente. alguém up to having a drink at paulista (same old same old?)
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nicole
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09h40
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last page from the orange notebook or things i'd go back to
arvores secas cor de concreto, bocadillo gourmet, céu azul de inverno, jugo de melocoton.
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nicole
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17h01
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dos espaços em branco e eus
Procuro
minhas linhas. Preciso chegar até o final, sem pulos nem espaços em branco.
Ocupar os espaços. Não posso falar de mim. É o estupro do EU. Coisa de
professor de redaçao em cursos pre vestibular. (melhor mesmo é falar dos
Argentinos, Afegaos, Sequestradores, filhos de cantores famosos, depressão
crônica - que não a minha propria, sites bizzaros, alimentos que causam cancer,
e qual vai ser o tema para o carnaval do ano que vem? Unidos do lexotam. Carro
abre alas duas torres com um aviaozinho no meio. E agora vou ter que levantar
apagar a luz e fechar a minha torneira que está pingando.
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nicole
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16h57
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from an old movie whose name I remember not
A gente segue em frente, levados por aquele impulso vital que se manifesta em todas as coisas. Aquele que originou a vida, que criou o passado e criará o futuro. Enquanto nós ficaremos sempre no presente, mentindo para nós mesmos que mudaremos com o mundo. Embora eu receie que continuaremos a a ser irreparavelmente nós mesmos, como éramos quando começamos a viver. Não sei por que estou dizendo isso. Não me entendam mal, não sou um filósofo, pelo contrário, sou alguém profundamente ligado a imagens. Só descubro a realidade quando a fotográfoe amplio a superficie da coisas a meu redor. Tento descobrir o que há por trás delas. Foi só o que eu fiz na minha carreira. A profissao de diretor é singular, nosso esforço é voltado para a assimilaçao de novas emoçoes e aprendizado de novos codigos visuais. Não vivemos mais dentro de um filme. Fomos despejados. Somos desabrigados, expostos ao olhar, à suspeita e à ironia de todo mundo. Sem poder falar a ninguém da nossa aventura pessoal que não está gravada no filme ou no roteiro. Uma lembrança enfadonha, como um presságio do qual o filme é o uma comprovaçao imcompleta. O relato completo é feito pela nossa ciencia quando a viagem é retomada de um lugar a outro para ver fazer perguntas, não sonhar com coisas que se tornam mais ilusórias em vista do novo filme. Mas atrás de cada imagem revelada existe outra mais fiel a realidade. E no fundo dessa imagem há outra e mais outra atrás da última. Até a verdadeira imagem daquela realidade misteriosa absoluta que ninguém jamais verá.
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nicole
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16h55
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excerpts from the gray pages
Fotografia é o resto
Eu não tenho que responder a essas perguntas
Sem tanto preconceito
Sem tanto pós conceito
O encontro
Uma mulher educada pela televisao
Outros espelhos
Os mais covardes que não foram tao longe voltaram
Mas todos voltarao
Palestra no núcleo: if only I smoked.
Big egos when toghether make me feel lonely
Flores do mal,
Baudelaire
Toda a figuraçao é um auto retrato.
Roberto Pitela
Contar historias
Costurar coraçoes
Está anoitecendo
Vai começar a historia
A fotografia deve ser acima de tudo uma homenagem
Un requerdo
o nosso rosto não nos pertence
síntese
te vejo com o branco do olhos
drummond:
sou contra, principalmente a minha imagem
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nicole
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16h52
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Errands:
Fazer álbum Ligar pra gabi Escrever uma carta
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nicole
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16h49
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excerpts from the yellow notebook - 1
A too sweet – too strong cup of coffee. I'm seated at the last table on the last
corner. The bubblely water seems to reproduce itself inside the glass so that I
don’t have to leave. I can always stare at the ugly man who reads the smoke
before the book, the couple who just met, the boy on the opposite side with his
busy magazine. So I am the last woman at the last corner of the last table. The
sad one who expects no one to enter the front door, asside from one or two of
those long lost friends.
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nicole
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16h48
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excerpts from the orange notebook - 2
Brindisi 2pm
On the way to bologna, one afternoon to cross the whole country on a train. Tenho
que chegar antes das nove da noite, pegar o último trem pra firenze e ainda
arrumar lugar pra dormir. Azul e verde everywhere. Depois de 4 dias ouvindo grego e 20
horas vomitando em um ferry, a Itália nunca esteve tão linda, falar italiano
nunca foi tao fácil e as pessoas nunca foram tao amigáveis (if you've ever been
to italy you know what I mean by NUNCA). Em tempo: quem quer que tenha inventado
a expressão “um deus grego” para designar o ideal de beleza masculina era míope
de pai e mãe (a menos que ser baixinho, bigodudo, careca, barrigudo e fumar até
feder fosse sexy a 3000 anos atrás). Outside tudo são oliveiras,
céu e mar azul tão intenso que faz a gente espremer os olhos. Gustavo já em casa
a essa hora. 24 horas and thousands of miles away. 3 palavras from Dorothy
Boyd: Alone Alone Alone. Beth Orton não ajuda em nada, but at least it makes me
look busy enough so people won’t bother talking to me.
Fome, a comida no trem é cara, todo mundo nesse trem trouxe lanche, i obviously didn't. O menino ao lado acaba de me pedir licença pra sair “io voglio ushire” e
eu entendi “quer um pedaço do meu sanduiche?” e respondi “grazie”.
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nicole
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16h44
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excerpts from the orange notebook - 1
Ferry Athena – Santorini
Chuva, sono, enjôo e nenhum lugar pra dormir. O
barco é grande mas o mar Egeu é maior. Meu pensamento mais profundo vem e volta,
e se eu vomitasse? Essa embriaguês sem álcool makes me wonder: “onde está o
dramin?”. Não há poesia que resista a um ferry boat.
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nicole
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16h40
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draw a circle
Curitiba
– SP – Milano – Manchester – London – Paris – Köln – Praha – Dortmund – Roma –
Milano – Veneza – Milano – Athena Santorini – Athena – Patras – Brindisi –
Bologna – firenze – Pisa – Nice – Monaco – Nice – Paris – Strasbourg – Paris –
Barcelona – Bilbao – Madrid – Segovia – Madrid – Sevilha – Madrid – Alicante –
Madrid – Lisboa – Porto – Lisboa – SP – Curitiba.
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nicole
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16h37
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